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produção intermediação crítica em arte

Concebida para confrontar diversas abordagens, pesquisas e opiniões artísticas, a primeira Jornada de Estudos do BE-IT: bureau de estudos sobre a imagem e o tempo Lavrar: produção intermediação crítica em arte apresentará um conjunto de pesquisas analíticas e práticas que intentam investigar os espaços da arte e sua mediação cultural, a utilização dos meios audiovisuais, a ficção e as perspectivas e estratégias das formas e técnicas artísticas. Nossa jornada trabalhará sobre o objeto cultural e as obras de arte como construções exemplares e singulares da experiência do real.
Participam da primeira jornada Adriano Gomide, Ana Alvarenga, André Hauck, Edmundo de Novaes Gomes, Eduardo Campolina, Gabriel Malard, Gladston Costa, Júlia Rebouças, Juliana Mafra, Marconi Drummond, Marília Fiuza, Nydia Negromonte, Patricia Franca-Huchet, Stéphane Huchet e Tales Bedeschi. A Jornada acontecerá em dois movimentos, no Museu da Pampulha, nos dias 14 e 21 de junho, das 14:00 às 17:30 hs.

O Bureau de estudos sobre a imagem e o tempo, grupo de pesquisa da UFMG/EBA, se dedica às práticas artísticas cujos propósitos se voltam para o estatuto da imagem com abordagem aberta à história, literatura, psicanálise e à antropologia do visual. Nós nos interrogamos sobre a imagem como acontecimento. Nos dedicamos à problemática da crítica e da escrita sobre a imagem, à dialética “arte e documento” e aos diversos contextos que a imagem concebe: histórico, artístico, econômico, político, cultural, etc.; contextos que jogam com a cenografia do nosso tempo, do nosso real, mas também de outras épocas. O grupo é coordenado por Patricia Franca-Huchet e Stéphane Huchet.

Programação

Dia 14 MAP: 14:00 às 17:30
Prelúdio: Patricia Franca
Mesa 1: Eduardo Campolina | Gabriel Malard | Gladston Costa | Júlia Rebouças
Debate
Intervalo
Mesa 2: Edmundo de Novaes Gomes | André Hauck | Ana Alvarenga | Marília Fiuza
Debate

Dia 21 MAP; 14 às 17:30
Prelúdio: Stéphane Huchet
Mesa 1: Adriano Gomide | Marconi Drummond | Juliana Mafra | Nydia Negromonte | Tales Bedeschi
Intervalo
Debate

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apresentações

O papel do colecionador no esquema de reconhecimento dos artistas modernos e contemporâneos
Adriano C. Gomide
Partindo da idéia de que o reconhecimento pode ser um dos motores da produção artística e seguindo o esquema de reconhecimento dos artistas modernos proposto por Alan Bowness em The Conditions of Success: How the Modern Artist Rises to Fame (1989) resumido por Nathalie Heinich em “A Sociologia da Arte,” pretendo examinar o papel do colecionador nesse esquema. Segundo o autor apresentado por Heinich, existem “quatro círculos do reconhecimento” que vão dos pares ao público e que são definidos pela relação menos distanciada da obra no 1º, ao mais distanciado – o 4º nível – que seria o do público. O trânsito do 1º ao último nível tem a ver com um maior tempo para se compreender a obra de arte. No esquema proposto por Bowness, os colecionadores de arte moderna são colocados no 2º nível e é esta colocação que pretendo examinar, abordando primeiro algumas definições de colecionador, para depois ver como opera este ator no esquema de reconhecimento da arte contemporânea, que segundo Heinich teria migrado para o 3º nível.

Imagem: um cruzamento de perspectivas e olhares internos
Ana Alvarenga
Pretendo proceder a uma reflexão acerca do livro de fotografias intitulado “Koxuk Xop – Imagem”. Assumo o imediato risco de penetrar em um terreno movediço, pleno de diferenças não apenas relacionadas à noção de imagem propriamente dita entre os Maxakali, mas profundamente complexas considerando que todo pensamento, toda a ontologia, toda a cosmologia, todas as filosofias maxakali são outras. Centrarei minha apresentação nas noções de artista e de perspectivismo do olhar fotográfico. A primeira será abordada em direta relacionada à disciplina. A segunda vem na esteira do que, em antropologia, chama-se perspectivismo ameríndio. Aqui me lanço a uma aplicação inédita do termo estritamente ligado à produção de imagens fotográficas.

Estruturas Nômades
André Hauck
Por volta de 1960, o casal de fotógrafos alemães Bernd e Hilla Becher começou a desenvolver um projeto fotográfico que consistia em um inventário arqueológico-industrial da Alemanha e do de algumas partes do mundo. Utilizando técnicas precisas, criaram um sistema tipológico para catalogar as estruturas industriais em processo de desaparição. Para esta jornada de estudos serão discutidas questões relacionadas aos aspectos metodológicos do trabalho dos Bechers e a importância de suas imagens na contemporaneidade.

O conceito de técnica: origens e transformações
Eduardo Campolina
A criação de um objeto artístico supõe um ‘fazer’, supõe alguma ação do homem sobre a matéria. Todo ‘fazer’, seja ele artístico ou não, seja ele produto de reflexão ou não, supõe uma capacidade mínima de ação. Essa capacidade seja ela consciente ou não, pode ser associada à palavra ‘técnica’. A reflexão sobre a ‘técnica’ atravessa a história do pensamento ocidental, desde a Grécia antiga até os nossos dias. A presente proposta visa explorar o campo conceitual da palavra ‘técnica’ passando por alguns referênciais na filosofia ocidental desde Platão até os dias atuais.

Como não ser artista?
Júlia Rebouças
Este trabalho deve analisar obras que se efetivam no espaço público e que fazem uso da não-nomeação, ou da não identificação social de sua condição de trabalho artístico como estratégia de mobilização e de circulação. A partir da série Situações, desenvolvida por Artur Barrio nos anos 1970, investigo a condição de invisibilidade momentânea de autoria artística. Como, então, não ser artista, sendo sempre artista?

Guto Lacaz e algumas idéias satânicas sobre o riso
Juliana Silveira Mafra
Nesta jornada de estudos apresentarei uma leitura sobre o artista Guto Lacaz e um pequeno texto denominado algumas idéias satânicas sobre o riso, que integram a dissertação que estou desenvolvendo na Escola de Belas Artes da UFMG e que será apresentada na íntegra no segundo semestre de 2011, sob o título o inventário das idéias feitas. Este trabalho pretende refletir sobre o humor e suas variações analisando-o na arte moderna e contemporânea. Análiso parte das obras de Francys Alys, Flávio de Carvalho, entre outros.

Pierre Menard, o autor do Quixote
Edmundo de Novaes Gomes
Segundo Jorge Luís Borges, Pierre Menard, um autor vasco-francês, decide, entre o final do século XIX e o início do século XX, escrever “Dom Quixote”. Não se trata, aqui, de escrever uma adaptação de “Dom Quixote”, mas de escrever o “Dom Quixote”. A ideia da apresentação é discutir o texto de Borges sob o foco do delírio do artista, do escritor, colocando em pauta questões como a originalidade da obra de arte, sua historicidade e suas possibilidades de crítica e interpretação.

Noção do valor na arte contemporânea
Gabriel Malard
A arte contemporânea é uma atividade baseadas em valores, e minha proposta é investigar como esses valores são fabricados. Quando digo que os valores em arte são fabricados ou forjados, é porque compreendo que valor não é algo objetivo, mas sim uma construção subjetiva: nenhuma área do conhecimento humano pode concluir definitivamente se algo tem valor. Uma afirmação de que algo é bom ou ruim não é uma afirmação do tipo verdadeiro falso, mas sim uma expressão de um gosto ou um desejo.Adotarei essa doutrina como base para entender alguns dos discursos que atribuem valor aos objetos (e conceitos) artísticos.
A subjetividade normalmente é vista como um problema teórico a ser combatido, e as teorias que definem valor tem a ambição de tornarem objetivos esses valores, criando critérios de avaliação e compreensão dos objetos artísticos, definindo hierarquias de valores, e estabelecendo padrões ou regras gerais. Quando a teoria é bem sucedida, ela convence um número grande de pessoas de que determinadas coisas são boas, enquanto outras são ruins. Mas por mais bem sucedida que sejam essas teorias, sempre irão carecer de ajustes. Pode-se dizer também que essas teorias ocorrem dentro de seus ambientes específicos: no campo das artes visuais, por exemplo, as teorias e seus ajustes são efetuados por artistas, curadores, intelectuais, restauradores, comerciantes de arte, consumidores e instituições especializadas.
Tentarei concluir que os discursos éticos e artísticos são maneiras para tentar driblar a subjetividade, possuem uma história e fazem parte de uma tradição.

Arte depois da filosofia ou arte com filosofia: Natureza, função e possibilidades discursivas da arte.
Gladston Costa
Se Kosuth afirma em ’A arte depois da filosofia’ que o trabalho de arte só pode ser uma proposição analítica e que a função do artista é lidar e posteriormente questionar a natureza da arte em seus próprios meios, o que proponho, é uma análise das qualidades dessas asserções quanto à sua validade ou não, na prática do fazer da arte. Consequentemente proponho lugares possíveis para a realização de um trabalho em arte que tangencie a criação em filosofia.

Curadoria editorial e experiências gráfico-curatoriais
Marconi Drummond
Este estudo pretende gerar algumas notas e reflexões em torno da ideia da possível conversão de dispositivos gráfico-editoriais em plataformas curatoriais. A discussão será referenciada através da apresentação de algumas práticas e eventos expositivos deflagrados a partir dos anos 60 que colocaram em discussão a noção de recepção, mobilidade e circulação do objeto artístico, formatados para espaços não circunscritos em galerias e museus. Interessa investigar o conceito de espaço expositivo, prospectar mecanismos que extrapolem o meio físico convencional e rastrear novos meios de difusão, recepção e mediação da obra de arte. Ao apresentar experiências expositivas que habitam suportes gráficos, esta proposição abordará a publicação como plataforma de experimentação curatorial.

Um olhar no tempo
Marília Fiúza
O objetivo deste estudo é dar forma através da palavra escrita a um trabalho de conteúdo bastante prático iniciado por volta de quatro anos atrás. Para tal, intento explorar, concretizar e até mesmo clarificar as várias possibilidades de interpretação do mesmo, enfatizando a relação de índice semiótico e/ou indicialidade com os elementos visuais, conceituais e pessoais presentes nas imagens em questão.
Será levado também em consideração a relação desses mesmos elementos com as diferentes variáveis que o termo tempo pode apresentar dentro de um trabalho plástico visual, assim como a relação de tempo com índice semiótico.
Um breve apanhado histórico talvez se faça necessário com a intenção de apenas contextualizar e explicar tais termos.

A carta hidrográfica como elemento de [re]conhecimento da pesquisa em Artes Visuais
Nydia Negromonte
Dentre alguns fatores propulsores da minha pesquisa, a água se destaca como elemento recorrente e estrutural, ora como questão propositiva, ora como forma simbólica e poética. A construção da carta hidrográfica se dará através da identificação e reconhecimento das principais ‘vias hidráulicas’ contidas nos trabalhos, culminando no mapeamento dos possíveis ‘locais nomináveis’ assim organizados: cruzamentos, conexões, bifurcações e fronteiras.

Zonas de outros critérios: espacialidades virtuais criadas por coletivos de artistas
Tales Bedeschi
O ciberespaço vem viabilizando diferentes manobras de coletivos de arte que atuam preferencialmente com intervenções no espaço público. Esses artistas fazem da rede um palco de experimentações, eixos de ação gerados/gerenciados colaborativamente. Estamos tratando aqui da configuração de espacialidades que trazem complexas questões para as relações entre artista, trabalho de arte e público. Qual papel esses espaços virtuais cumprem na atuação dos coletivos? Qual o público desses sítios e qual tipo de relação ele estabelece com a arte produzida pelos seus gestores? Que tipo de experiência artística está sendo promovida em blogs e sites? Quando as ações no espaço público são convertidas em geradores de imagens para espaços virtuais e quando os espaços virtuais potencializam as ações no espaço público? Caberá ao nosso estudo analisar algumas dessas questões, tomando por base os blogs e sites dos coletivos de arte belorizontinos, Kaza Vazia e Grupo Poro.

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